quinta-feira, 21 de julho de 2011

O que não é filosofia?

Por Edson Menezes.

Alguns consideram que a filosofia seria uma especulação sem fim em torno de qualquer assunto ou problema. Há quem afirme não caber a filosofia "resolver" problemas, mas apenas de propô-los, ou de fazer perguntas cujas respostas não seriam de real interesse, com o fim de estimular a reflexão e a curiosidade. Segundo esta ótica, a filosofia não passaria de uma "ginástica" do pensamento.
A filosofia se ocupa de assuntos variados, e talvez por isso exista certa incompreensão acerca dos seus objetos de estudo e, sobretudo do que seria a filosofia.
Outro equivoco acerca da filosofia é considerá-la como uma complementação da ciência e da elaboração cognitiva em geral, contudo a filosofia não é e não pode ser simplesmente um prolongamento científico. A filosofia é justamente outra coisa, ou então não teria razão de existir como campo de conhecimento. No momento não nos cabe aqui, dizermos o que é a Filosofia, mas sim o que ela não seria. Se o objeto da filosofia fosse o mesmo que o das ciências, então a própria ciência daria conta desta tarefa. A filosofia então não é ciência, e por isso é possível, por exemplo, uma filosofia da ciência.

Se a filosofia é totalmente independente da ciência, o mesmo não acontece com a própria ciência em relação a filosofia. A ciência depende de valores e conceitos filosóficos para dar fundamentação aos seus princípios e métodos. Além disso, os próprios resultados científicos podem ser avaliados pela filosofia. Acerca deste assunto, a pensadora brasileira Marilena Chauí nos diz que:

A Filosofia não é ciência: é uma reflexão crítica sobre os procedimentos e conceitos científicos. Não é religião: é uma reflexão crítica sobre as origens e formas das crenças religiosas. Não é arte: é uma interpretação crítica dos conteúdos, das formas, das significações das obras de arte e do trabalho artístico. Não é sociologia nem psicologia, mas a interpretação e avaliação crítica dos conceitos e métodos da sociologia e da psicologia. Não é política, mas interpretação, compreensão e reflexão sobre a origem, a natureza e as formas do poder. Não é história, mas interpretação do sentido dos acontecimentos enquanto inseridos no tempo e compreensão do que seja o próprio tempo. Conhecimento do conhecimento e da ação humanos, conhecimento da transformação temporal dos princípios do saber e do agir, conhecimento da mudança das formas do real ou dos seres, a Filosofia sabe que está na História e que possui uma história (CHAUÍ, 2002, p17).


Conceituar a Filosofia é um exercício dinâmico de reflexão, que constantemente se depara diante do imprevisto. Tentar dizer de forma acabada o que vem a ser a Filosofia seria aprisionar a própria capacidade do pensamento, gerando na nossa dimensão existencial um paradoxo, pois este "acabamento" iria de encontro com nossa abertura diante de si e do mundo, bem como da capacidade de conhecer.

Referências bibliográficas:

CHAUÍ, M. Convite a filosofia. Editora Ática. São Paulo, 2002.
JUNIOR, C. P. O que é filosofia? Editora Brasiliense. São Paulo, 1981.

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